Ela tem uma caixinha.
É
quadrada, numa cor clara às risquinhas esverdeadas. É aberta em cima.
Esta caixinha é onde
estão guardados os brinquedos dela. Não são muitos e a sua maioria são peluches
que eram meus de quando era criança. Se virmos bem, o tempo que nos separa não
é assim tanto.
À caixinha fazem
companhia um piano de bichinhos e duas cobras de lã feitas pela Avó Isabel.
Mas, esta caixinha, na
verdade, não é só um simples lugar onde guardar os bonecos ao fim do dia.
Esta
caixinha é, na verdade, um universo repleto de aventuras! Como ela ama aquele
lugar de onde surgem tantos amigos para brincar! Como ela sempre que toca com
as pernas no chão, do colo para ficar sentada, rapidamente sorri e avança com
as duas mãos, pendurando-se na caixinha e espreitando lá para dentro, para os
novos mundos desse dia!
Num momento, vejo-a a
agarrar a caixa com uma mão enquanto a outra procura e remexe lá para dentro,
encontrando os seus bonecos e tirando-os cá para fora, no momento seguinte, quando
já me distrai com alguma outra coisa, ouço-a a cantarolar e o único que vejo é
um rabiosque espetado para o ar enquanto o resto do corpo está totalmente
enfiado na caixa, a palrar lá para dentro e a rir-se. Todos os dias é assim.
Enquanto escrevo, ela está ali, à volta da sua caixinha. Feliz.
E o que sinto quando a
vejo assim é uma profunda felicidade. É imensurável vê-la assim, tão curiosa,
tão feliz, tão cheia de vida. Como ela é bonita e como ela me faz ver como é
bonito o mundo. Como ela me faz (re)descobrir o universo nos detalhes mais
pequeninos. Como amo uma caixinha provocar-lhe tantas brincadeiras, tantos
gritinhos de felicidade, tanto cantarolar. O sorriso que se desenha na minha
cara quando a vejo, e quando me lembro, é enorme, maior que tudo. E é por isso
que escrevo sobre ela e a sua caixinha. Escrevo para não me esquecer desse
momento em que a vejo tão ela, cada vez mais ela, e em que me sinto tão dela.
Escrevo para não me esquecer. Dela e a sua caixinha.
Inês
Lisboa, Janeiro de 2015
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