…quase a partir para a minha ilha.
Mil preparações, malas cheias de tudo; livros, papéis,
canetas e mais livros e mais anotações. Já quase não cabe a roupa. E serão 2
meses de trabalho naquela ilha que tu sabes e que é Reserva da Biosfera. Dizem
que é uma espécie de paraíso…
Entretanto fui lendo o livro que me ofereceste pelo Natal:
«MULHERES VIAJANTES» - um bom retrato das viagens de mulheres ao longo dos
séculos e realizadas por mulheres num tempo quase impossível para tal. Ao lê-lo
vejo como nada é impossível quando se quer mesmo.
Poderia dar-te muitos exemplos de mulheres extraordinárias
mas terás que ler o livro.
Deixo-te aqui uma afirmação da escritora e viajante Mary
Berry (1763-1852):
…a nossa educação ( se educação se pode chamar) está
praticamente concluída no momento em que as nossas mentes se começam a abrir e
estão ávidas de informação. Quando vós
homens sois enviados à
universidade, nós somos deixadas - que não estão obrigadas a ganhar o sustento diário ou a remendar as suas roupas - à
inactividade total, sem qualquer objecto, fim ou alvo para encorajar o emprego
da mente.
As mulheres viajantes deste livro deixaram um testamento poderoso para os
anos seguintes, mesmo séculos, pois os
seus escritos, os relatos das suas viagens perduraram no tempo e são o melhor
exemplo da sua luta difícil e tenaz para partir à procura do Mundo e de si
próprias, contra todos os preconceitos e limitações…
E hoje, em pleno
século XXI, li que foi publicada, no Diário da Republica, a lei 28/2015, a
oitava alteração ao Código de Trabalho que consagra a Identidade de Género no
âmbito do direito à igualdade no acesso ao emprego e no trabalho:
O trabalhador ou candidato a emprego tem direito a igualdade de oportunidades e de tratamento no que se refere ao acesso ao emprego, à formação e promoção ou carreira profissionais e às condições de trabalho, não podendo ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão, nomeadamente, de ascendência, idade, sexo, orientação sexual, identidade de género, estado civil, situação familiar, situação económica, instrução, origem ou condição social, património genético, capacidade de trabalho reduzida, deficiência, doença crónica, nacionalidade, origem étnica ou raça, território de origem, língua, religião, convicções políticas ou ideológicas e filiação sindical.
Mais um passo na
consolidação da igualdade de género?
Os passos são lentos,
as mudanças de paradigma demoram.
E vês como os livros
nos levam a pensar sobre os assuntos? Neste caso sobre a MULHER e a sua luta
pela igualdade de direitos e oportunidades…
Lê o livro!
Até breve
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