Sunday, March 8, 2015
Tertuliando II - O 2º Sexo
Na livraria Bertrand no Chiado assisti a uma conversa, moderada pela Anabela Mota Ribeiro, sobre Simone de Beauvoir o seu pensamento e os seus livros.
A minha geração é, sem sombra de dúvida, muito marcada pela literatura francesa, enfim, pela cultura francesa em geral. Ouvíamos Brel, Reggiani e todos os outros cantores.
E líamos Sartre e Beauvoir. E Paris era o lugar de todos os desejos.
Eram os anos 70, logo após o 25 de Abril, e os livros até aí proibidos começaram a surgir...como o "Segundo Sexo" de Simone de Beauvoir.
E em 1976 li " O Segundo Sexo ". Talvez o livro-viragem, o que me transformou noutra. Ou aquele que me disse aquilo que em mim já estava inscrito e eu não sabia.
...voltei agora ao livro e fui ver os sublinhados e vejo que tornaria a sublinhar as mesmas frases:
"...o drama da mulher é esse conflito entre reivindicação fundamental de todo o sujeito que se põe sempre como essencial e as exigências de uma situação que a constitui como inessencial. Como pode realizar-se um ser humano dentro da condição feminina? Que caminhos lhe são abertos? Quais os que conduzem a um beco sem saída? Como encontrar a independência no seio da dependência? Que circunstâncias restringem a liberdade da mulher, e quais pode ela superar? São essas algumas questões fundamentais que desejaríamos elucidar. Isso quer dizer que, interessando-se pelas oportunidades dos indivíduos, não as definiremos em termos de felicidade e sim em termos de liberdade."
Ou esta de Dorothy Parker, também no mesmo livro:
" Não posso ser justa em relação aos livros que tratam da mulher como mulher...A minha ideia é que todos , homens e mulheres, o que quer que sejamos, devemos ser considerados seres humanos."
Enfim, fiz uma viagem no tempo e vejo que apesar da grande caminhada feita até aos dias de hoje, muito há ainda para fazer.
Os números são exemplares, no que à mulher diz respeito:
1/3' das mulheres com ordenados inferiores aos dos homens,
O desemprego atinge mais as mulheres,
A taxa de pobreza nas mulheres tem vindo a aumentar.
Os números da desigualdade falam por si.
Os números da violência exercida sobre as mulheres são, igualmente, assustadores.
Será que vais ter curiosidade em ler o livro? Ou os outros da mesma autora.
Estão aqui à tua espera.
Até breve
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Isabel,
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