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Friday, February 13, 2015

Ainda "do vício"...

...sim,minha Inês, tendencialmente todos nós somos uns "queixinhas"- gostamos muito de estar assim-assim. Ou mais ou menos. Mesmo quando os dias são luminosos e temos tanta coisa boa para olhar e sentir.

Mas...

O mal vem ao de cima - como se diz no Norte!

As pequenas e grandes dores chegam e ficam. Em nós.

Mas podemos libertarmos do assim-assim. Devemos.

A baixa auto-estima, assunto para longas páginas ou conversas intermináveis...
Nós, mulheres, mesmo fortes e resistentes, sofremos muito desse mal. Absorvemos sofregamente os não elogios, as palavras cruas ( sobretudo as do nosso ele ), aquela palavrinha verrinosa, quer se dirija ao físico; quer ao psíquico - "gordinha aqui...tem cuidado" ou " que sabes tu disto?", " não sabes o que dizes...", e outras coisas muito mais graves. Simplesmente a forma como uma mulher as recebe é quase sempre a mesma - a auto-estima vai por aí abaixo.
É uma doença. Que se inscreve na mulher, que corrói, que faz doer...e que demora a passar.

Há um longo caminho a fazer, tal como educar os meninos e as meninas como seres que se devem respeitar. Sempre. Exigir aos meninos o que se exige às meninas - bom comportamento, civilidade, respeito pelo outro de igual para igual.
Uma educação de exigência para ambos - meninos e meninas - em casa, na escola, na publicidade, em todos os ramos e ramificações da sociedade em que vivemos.

Isto são pensamentos soltos a que cheguei levada pelo teu "vício".

E lembrei-me de um espectáculo de bailado a que assisti no domingo passado: A PERNA ESQUERDA DE TCHAIKOVSKI" .

É um bailado com uma bailarina em palco, Barbora Hruskova ,na sua despedida da dança, e o pianista Mario Laginha. O bailado gira em redor do esforço da bailarina, das suas dores, daquilo que o público entende teoricamente mas que não viveu enquanto bailarino.

Barbora dança e fala com o corpo e com os espectadores...fala da " coreografia da dor", do seu diálogo com os pés,com as mãos, com as partes do corpo que quer ver e sentir " perfeitas".
E diz ela: -...não sou uma bailarina perfeita, não tenho um corpo para a dança (!).
É um monólogo com dança e todos os presentes entendem em profundidade o sentir da bailarina. As suas dores e a sua enorme capacidade de superação.
E Mario Laginha faz um " pas de deux" inesquecível.

É um espectáculo da COMPANHIA NACIONAL DE BAILADO a não perder - no Teatro Camões até dia 15 deste mês.

...vês onde me levou o teu "Vício"? E vês como todos temos que ser coreógrafos, até na dor?
Risos para ti.


Até breve.


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