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Tuesday, December 22, 2015

De manhã

Ouço música de Natal de fundo, um remix pouco harmonioso que fica numa moinha de fundo.
Ouço conversas soltas, o som de pratos a serem arrumados, a luz que vai abaixo, o cheiro do meu café com leite. O tempo passa, mas estes meus pequenos-almoços no café da esquina trazem-me uma sensação de estar a pairar sobre o Tempo, como se conseguisse pará-lo nesta meia-hora que tomei posse diariamente.
Quando decido que é hora de ir, parece que os minutos que ficaram em stand-by correm a uma velocidade imensa, de forma a encaixar o mundo e o seu andamento nos eixos. Tenho a sensação de corrida, e eu corro também.

Toca o sino. Onze badaladas. É hora de ir.

Saturday, December 5, 2015

... descendo a Avenida

…descendo a Avenida numa manhã soalheira de Dezembro.

As duas meninas correm; uma atrás do «piu piu», a maior corre atrás da mais pequena. Mãe e filha, duas meninas que correm.
Eu olho-as e sinto em mim uma alegria maior, uma doçura infinita ao viver aquele momento…
Tudo parece perfeito. Eterno. Um momento cristalizado no tempo.
Caminhámos as três pela cidade numa sintonia total.
Olhares de descoberta, risos e monossílabos, dedos espetados no ar e…mais risos.
Três gerações olhando e descobrindo a cidade numa manhã perfeita de Inverno. 

Até breve

Saturday, November 21, 2015

Tanto tempo depois...


Leio e releio o teu post...tanto tempo depois.

Mil respostas interiores e que ficaram todo este tempo no silêncio de mim.
 
Ser tua mãe e ver-te inteira nos teus projectos; nas tuas aulas de teatro, nas tuas peças, no mestrado em que foste aceite com nota brilhante, na tua maternidade feliz, na tua vida tão cheia...
Ser tua mãe e ver-te atenta ao Mundo e a tudo o que te rodeia e te preocupa, porque não compreendes ou não aceitas a maldade e a desumanidade.
Ser tua mãe e olhar-te com orgulho, por te saber assim como és, inteira e digna.

Releio-te muitas e muitas vezes.
 
O tempo é uma vertigem e eu paro cada vez mais para...pensar.
As escritas ficaram paradas, tenho-me limitado a ouvir, sentir, olhar e...ver.

Tantas coisas aconteceram: viagens: outros sítios, outras culturas, outro respirar...
Parar para absorver.

Olhar o Mundo e vê-lo cada vez mais pequeno, mais próximo e também mais afastado. Este Mundo em permanente convulsão e cheio de contradições mortais.
A nossa cidade maravilhosa ferida de morte e os outros lugares, que não nos sendo afectivamente tão próximos, são igualmente maltratados e arrasados. A fúria do homem em todo o seu horroroso esplendor.
Estranho mundo este em que estamos a viver.

Vou deixar-te aqui uma sugestão de um livro, que foi ontem lançado, cujo título me convoca e me pede com urgência para lê-lo. Trata-se do livro: "MENOS QUE HUMANOS" de Nuno Rogeiro.
O título diz muito. A foto de capa também.
É urgente sabermos mais e mais desta migração de gentes, deste tráfico de pessoas, deste negócio obscuro e desumano à vista de todos.
É um crime humanitário a que assistimos da janela do nosso conforto.


Deixo-te o livro.

Até breve
Isabel

Saturday, October 3, 2015

O dia de hoje e um retorno

Muito tempo depois... Escrevo.
Tenho estado perdida nos dias. Eles passam e eu estou sempre num turbilhão de afazeres, trabalho, preparação da candidatura para mestrado (preparar projecto de tese, ler bibliografia para exame escrito, pensar na defesa oral do projecto...), casa e claro, sempre em primeiro lugar e a ocupar a maior parte dos dias, a minha bebé, que a cada dia é mais menina.

Mas hoje escrevo porque hoje é um marco. Depois de 15 meses, voltei ao teatro, voltei à minha função, aquilo que move os meus estudos e ambições pessoais-profissionais: ser actriz.

Estou num novo processo de montagemde espectáculo. Hoje mostramos os primeiros dez minutos daquilo que vai ser a nossa hora em palco assim que estrearmos.

O nervosinho gigante que tira o ar e aperta a barriga continua cá. É bom, mantem-me desperta e viva. Mas a sensação foi como se nunca tivesse feito esta pausa. E nunca fiz, na verdade. Continuo a cada dia a trabalhar para isto. Mas hoje, concretizou-se e sinto-me feliz. Que venha o resto(s)!


Tuesday, September 8, 2015

Uma imagem inesquecível

Uma imagem vale por todas as palavras?
A imagem de que falo diz tudo sobre a nossa indiferença de povo privilegiado...
Numa praia uma criança estendida na areia. Vestida. Morta.
Inesquecível imagem.
Esta velha Europa da cultura, das Luzes, do conforto e do século xxi, o que faz perante tal horror?
Tempo de pensar e de agir. Agora!

Até breve